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Em tempos de "guerra", "paz" ou "pazes"?

 

Em contextos do dia a dia, é comum que a palavra paz apareça apenas no singular, ligada à ideia de tranquilidade ou ausência de conflito. No entanto, a forma pazes existe, é reconhecida pela gramática normativa e tem uso legítimo em situações específicas da língua portuguesa, sobretudo quando se quer indicar diversidade de contextos, repetição de períodos tranquilos ou acordos sucessivos.

Por que pazes soa estranho e ainda assim está correto

A principal razão para a estranheza em relação a pazes é o uso dominante do singular em contextos cotidianos, como “viver em paz” ou “ter paz interior”. A ideia de paz costuma ser tratada como um estado único e global, o que afasta, no uso comum, a percepção de que podem existir várias formas de paz: paz social, paz familiar, paz política, paz individual, entre outras.

A gramática normativa, contudo, não restringe o plural, reconhecendo nele um emprego estilístico e expressivo. De acordo com a ABL (Academia Brasileira de Letras), o plural pazes é aceito e aparece com marcas de uso literário e estilizado, especialmente quando se deseja marcar diversidade, reiteração ou contraste entre diferentes tipos de concórdia e de serenidade.

Como pazes aparece na literatura e em textos formais

No campo literário, a forma pazes é utilizada para enfatizar nuances da experiência humana, aproximando-se de construções como “alegrias”, “tristezas” ou “liberdades”. Escritores usam o plural para destacar que não há uma única paz, mas várias formas de concórdia e de sossego, vividas em tempos, espaços e relações diferentes, o que enriquece a expressividade do texto.

Quais são exemplos de uso de pazes em diferentes contextos

O quadro a seguir apresenta exemplos de uso de pazes em diferentes contextos, com foco em trechos representativos e próximos de ocorrências encontradas em obras literárias, dicionários e gramáticas. Cada exemplo evidencia um valor semântico específico, como multiplicidade de acordos, períodos tranquilos sucessivos ou formas distintas de concórdia ao longo da vida ou da história.

  • Literário – sentido de diferentes formas de paz
    “Entre guerras e pazes, a cidade aprendeu a conviver com o silêncio depois do estrondo.”
    Emprego de pazes para indicar períodos distintos de tranquilidade ao longo da história da cidade.
  • Expressão consagrada – “fazer as pazes”
    “Depois de anos de desentendimentos, as famílias finalmente fizeram as pazes.”
    A locução fixa “fazer as pazes” é registrada em dicionários de referência e aparece com frequência em textos jornalísticos, normativos e conversas formais.
  • Paz individual em diferentes momentos
    “Encontrou várias pazes ao longo da vida: a da infância, a da maturidade e a do reencontro com a própria história.”
    O plural destaca fases distintas de serenidade interior, aproximando-se da ideia de etapas de autoconhecimento e equilíbrio emocional.
  • Contexto diplomático
    “Os países selaram novas pazes após décadas de tensão nas fronteiras.”
    A forma plural enfatiza diferentes acordos e tratados firmados ao longo do tempo, sugerindo acomodações sucessivas entre as partes.

Em todos esses exemplos, a presença de pazes cumpre papel semântico claro: indicar multiplicidade de acordos, de períodos tranquilos ou de formas específicas de concórdia. Embora a forma possa causar estranhamento em quem está mais acostumado ao singular, ela se mantém amparada por gramáticas, dicionários de prestígio e pela tradição literária, sendo plenamente legítima no português atual.

Matéria na íntegra: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/o-plural-de-paz-e-pazes-e-a-origem-vem-do-latim/

06/01/2026