Em contextos do dia a dia, é comum que a palavra paz apareça apenas no singular, ligada à ideia de tranquilidade ou ausência de conflito. No entanto, a forma pazes existe, é reconhecida pela gramática normativa e tem uso legítimo em situações específicas da língua portuguesa, sobretudo quando se quer indicar diversidade de contextos, repetição de períodos tranquilos ou acordos sucessivos.
A principal razão para a estranheza em relação a pazes é o uso dominante do singular em contextos cotidianos, como “viver em paz” ou “ter paz interior”. A ideia de paz costuma ser tratada como um estado único e global, o que afasta, no uso comum, a percepção de que podem existir várias formas de paz: paz social, paz familiar, paz política, paz individual, entre outras.
A gramática normativa, contudo, não restringe o plural, reconhecendo nele um emprego estilístico e expressivo. De acordo com a ABL (Academia Brasileira de Letras), o plural pazes é aceito e aparece com marcas de uso literário e estilizado, especialmente quando se deseja marcar diversidade, reiteração ou contraste entre diferentes tipos de concórdia e de serenidade.
No campo literário, a forma pazes é utilizada para enfatizar nuances da experiência humana, aproximando-se de construções como “alegrias”, “tristezas” ou “liberdades”. Escritores usam o plural para destacar que não há uma única paz, mas várias formas de concórdia e de sossego, vividas em tempos, espaços e relações diferentes, o que enriquece a expressividade do texto.
O quadro a seguir apresenta exemplos de uso de pazes em diferentes contextos, com foco em trechos representativos e próximos de ocorrências encontradas em obras literárias, dicionários e gramáticas. Cada exemplo evidencia um valor semântico específico, como multiplicidade de acordos, períodos tranquilos sucessivos ou formas distintas de concórdia ao longo da vida ou da história.
Em todos esses exemplos, a presença de pazes cumpre papel semântico claro: indicar multiplicidade de acordos, de períodos tranquilos ou de formas específicas de concórdia. Embora a forma possa causar estranhamento em quem está mais acostumado ao singular, ela se mantém amparada por gramáticas, dicionários de prestígio e pela tradição literária, sendo plenamente legítima no português atual.
Matéria na íntegra: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/o-plural-de-paz-e-pazes-e-a-origem-vem-do-latim/ [1]
06/01/2026Links
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