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Artigos

  • Os genes de Romeu e Julieta

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 26/03/2006

    A trajetória do evolucionismo mostra como é difícil rotular, do ponto de vista político ou ideológico, idéias que nascem da ciência, da cultura ou da arte. Certamente não era em rótulos que Charles Darwin pensava quando escreveu "A Origem das Espécies". Mas uma teoria tão revolucionária inevitavelmente teria seu papel no choque de conceitos que emergia com toda sua força no século 19, o século que marcou a ascensão do capitalismo e também dos movimentos sociais que a ele se opunham. Esquerda e direita eram então categorias estanques, como o eram progressista e reacionário.

  • Tem governo aí, não?

    O Globo (Rio de Janeiro), em 26/03/2006

    Uma coisa que ninguém pode nos negar é a originalidade. Já começa que devemos ser, como diziam os professores, o mais extenso país do mundo em terras contínuas e férteis. E, se não somos, estamos perto. Somos também um país dotado de imensos recursos naturais e um clima no geral amigável e não temos tribos ou facções secularmente inimigas. Somos, assim ou assado, uma nação, com a mesma língua e os mesmos traços culturais. Fica difícil entender, portanto, a razão por que tanto atraso e problemas tão terríveis.

  • A verdaderia tentação de Bush

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 24/03/2006

    Rumsfeld se soma agora a Bush em dar o recado, por entre as entrelinhas, sobre a paz mundial. Os Estados Unidos, diz, vão resistir à tentação de sair de vez do Iraque. O caminho do bom senso político seria o de retirar-se por força da alegada "síndrome do Vietnã", repetida hoje no governo Bush.

  • PMDB, 40 anos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 24/03/2006

    Sem liberdade , não há democracia, e esta não funciona sem partidos. A história dos partidos políticos é lenta, mas foram eles o grande instrumento de estabilidade dos governos. Repito a definição clássica de que, numa sociedade pluralista e aberta, constituída de grupos de pressão, o partido político é classificado como um destes, diferenciado dos outros porque, em vez de influenciar o poder, ele quer exercer o poder. No Brasil, talvez pela sua dimensão, de realidades regionais diferenciadas, nunca tivemos uma tradição de partidos políticos. Nosso modelo foi mais de facções estaduais que se reúnem a nível nacional em termos de governo e oposição. Assim foi no Império, na República e é até hoje. Por isso, quando um partido político em nosso país completa 40 anos, é um feito significativo para as instituições.

  • Museu do idioma

    Diário do Comércio (São Paulo), em 24/03/2006

    Foi inaugurado segunda-feira última, na reformada Estação da Luz, marco de nosso desenvolvimento em parceria com a Inglaterra, o Museu da Língua Portuguesa, obra louvabilíssima do operoso governador Geraldo Alckmin.

  • Direita e esquerda

    Diário do Comércio (São Paulo), em 23/03/2006

    É sabido que existem na França duas correntes históricas, a dos Anais e da Action Française. Para primeira, a Revolução Francesa já encerrou seu ciclo; para a segunda, ainda não encerrou. Admirador que fui de Charles Mauras e Leon Daudet, concordei com suas teses, que me pareciam e que ainda parecem vivas, não obstante o pensamento em contrário de letrados eruditos na história da França.

  • A greve nepotista

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 22/03/2006

    Minas Gerais não merecia ser o cenário do espetáculo mais constrangedor de resistência do terceiro poder à abolição do nepotismo, confirmado pelo Supremo Tribunal Federal e pela consciência cívica do país. Não precisava o Tribunal de Belo Horizonte passar da caricatura ao grotesco, na greve contra a Resolução 7 do Conselho de Justiça, que já hoje passa à história do avanço das instituições brasileiras. A próxima Conferência Internacional de Gotemburgo, dedicada aos modelos políticos do nosso tempo, já anotou esta conquista, como índice do amadurecimento irrevogável de nosso Estado de Direito. Trata-se do avanço desse controle externo, entre os poderes como garantia, exatamente de evitar-se o seu endurecimento como corporação. Ou fazer do serviço público a cosanostra, e em proveito por empregos e benefícios.

  • Maledeto Imbroglio

    Diário do Comércio (São Paulo), em 22/03/2006

    Nas pegadas de Antonio Palocci está sendo jogado agora um caseiro, personagem nova nesse romance policial digno de Sherlock Holmes ou o inteligente, simpático e sagaz Padre Brown. Já escrevi aqui dois ou três artigos sobre Palocci, a quem tenho simpatia embora não o conheça nem de vista. Se nos lembrarmos, a título de suposição, de que Palocci entrou para o círculo dos políticos, que não é pacífico nem avesso a intrigas, nos daremos conta dos seus embaraços e perigos, ainda que o presidente Lula o queira salvar.

  • Esse Okamotto

    Diário do Comércio (São Paulo), em 21/03/2006

    É sabido que os orientais são dotados de paciência invencível e que atrás de cada sorriso pode sempre ter uma recusa inabalável. Sempre os tive como pacientes sem medida, isto para homens e mulheres. São mestres da paciência e com ela enfrentam o mundo. Um dos melhores exemplos japoneses está na educação e no desenvolvimento econômico, com sua ofensiva pelo mercado dos automóveis nos EUA.

  • Guerrilha capilar

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 20/03/2006

    A Polícia Federal (PF) apreendeu 250 kg de cabelos que entraram no Brasil ilegalmente em um hotel em Curitiba, na manhã deste domingo. O material havia sido trazido da Índia. Três pessoas foram presas. O contrabando foi descoberto por acaso: agentes da Polícia Federal estavam hospedados no mesmo hotel e suspeitaram quando a carga era descarregada de uma caminhonete. De acordo com a PF, todas as mechas de cabelo eram pretas e tinham entre 40 e 70 centímetros de comprimento. A carga seria revendida para salões de beleza.

  • Meu tipo inesquecível

    O Globo (Rio de Janeiro), em 19/03/2006

    QUANDO EU ERA CRIANÇA, costumava ler uma revista que meus pais assinavam; tinha uma seção chamada “Meu tipo inesquecível”, na qual pessoas comuns falavam de outras pessoas comuns que haviam influenciado suas vidas. Claro que, àquela altura, com 9 ou 10 anos, eu também havia criado o meu personagem marcante. Por outro lado, tinha certeza de que, no decorrer dos meus anos, este modelo iria mudar. Portanto, resolvi não escrever à tal revista submetendo minha opinião (fico imaginando hoje como eles teriam recebido a colaboração de uma pessoa com a minha idade na época).

  • Por quem tocam os tambores de São Luís

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 17/03/2006

    Josué Montello era um narrador excepcional. O autor da frase é Alceu Amoroso Lima, por muitos considerado o maior dos nossos críticos literários. De fato, o escritor maranhense, autor de mais de cem livros, foi uma das mais férteis e bem-sucedidas carreiras da literatura brasileira.Conseguiu o milagre de aliar a sua inequívoca vocação literária com uma série de belas incursões na vida pública, em que acumulou bons serviços a Juscelino Kubitschek na Presidência da República, na direção da Biblioteca Nacional e na Embaixada do Brasil na Unesco, em Paris. A que se pode agregar os dois anos de presidência da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Austregésilo de Athayde, e realizando uma obra fundamental de restauração da Casa de Machado de Assis.

  • A morte de Josué

    Diário do Comércio (São Paulo), em 17/03/2006

    A morte de Josué Montello não me surpreendeu, mas muito me comoveu. Depois de minha eleição para ilustre companhia, eu e Josué tornamo-nos muito amigos, falávamos quase que diariamente pelo telefone, sendo a Academia um dos assuntos que ele conhecia. Josué foi um grande acadêmico, tinha a Academia na alma e na sua paixão.

  • Velhos rastilhos, novos gatilhos

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 17/03/2006

    A reunião recém terminada em Doha, da Aliança para as Civilizações, com a presença de Kofi Annan, evidenciou o nível em que a hegemonia mundial pode, nestes dias, repetir o quadro do pós-setembro de 2001. O Governo Bush não deixa nenhuma reserva quanto ao estar pronto a todas as soluções, caso não se componha a dita ameaça nuclear, vinda na escalada de confronto com o Irã.