Portuguese English French German Italian Russian Spanish
Início > Noticias > ABL na mídia - CBN - Escritor Ruy Castro revela porquê não biografou Tom Jobim; acompanhe a primeira parte da entrevista

ABL na mídia - CBN - Escritor Ruy Castro revela porquê não biografou Tom Jobim; acompanhe a primeira parte da entrevista

 

Autor de diversos livros sobre o Rio de Janeiro, membro da Academia Brasileira de Letras, homenageado da Bienal do Livro de 2025, prestes a ganhar uma cinebiografia, Ruy Castro conversou, nesta semana, com o âncora do CBN Rio, Leandro Resende, e falou sobre suas duas obras mais recentes. Nesta primeira parte da entrevista, que foi ao ar nesta sexta-feira (26), ele fala sobre 'O Ouvidor Do Brasil, 99 vezes Tom Jobim', coletânea de crônicas feitas sobre um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

No papo, Ruy Castro explicou porquê não biografou Tom Jobim, como fez com outros personagens históricos como Nelson Rodrigues, Carmem Miranda e Garrincha.

“Contei a história do Tom, a carreira dele, em três livros cujos títulos são tirados de obras do Tom. Um é o chega de saudade,' que é a história da Bossa Nova; outro é o 'Ela é carioca', que é um livro, uma enciclopédia de Ipanema, com os personagens importantes de Ipanema. E há ainda, 'A onda que se ergueu no mar', verso de Wave. O Tom Jobim está altamente explorado, né, sob todos os ângulos, nesses livros todos".

Ruy conta que foi procurado para escrever uma biografia de Tom logo após sua morte em 1994.

“No dia seguinte me ligaram me propondo que eu fizesse a tarefa, mas a seguinte encomenda: uma editora americana queria fazer uma biografia do Tom, queria que eu fizesse uma biografia do Tom, para entregar dali a seis meses, para o livro sair em menos de um ano depois da morte do Tom. Eu agradeci muito e recusei imediatamente. Primeiro porque me parecia uma coisa de abutre, entendeu? E, segundo, quando você vai biografar uma pessoa que acabou de morrer, essa pessoa deixa de ter defeitos. Durante anos, as pessoas não têm um defeito no mundo. Então você não pode dizer isso. Não é uma biografia. Então acho que eu falei para a pessoa que me convidou: acho que não vai faltar quem queira fazer esse livro para você, mas eu não posso fazer. O grande problema, ele conta, é que Tom não teve altos e baixos ao longo da vida. O personagem tem que ter tido muitos altos e baixos na vida dele. Tem que ter sofrido, tem que ter vencido, tem que ter sido vencido, tem que ter amado, tem que ter sido abandonado, tem que ter tido, sei lá, uma doença grave, tem que ter fugido da polícia, tem que ter sido preso. Uma biografia, um biografado ideal, é uma pessoa que tem uma vida tão movimentada que faça com que o leitor se identifique em um ou mais aspectos da vida dele. E a vida do Tom foi muito plana, de certa maneira”

Na conversa, Ruy Castro conta, também, como Tom Jobim criou a expressão “O Brasil não é para principiantes”, que, adaptada, já virou ditado popular, com variações como “o Brasil não é para amadores”. Jobim lançou a frase ao comentar um livro da década de 1960, em que um escritor estrangeiro falava sobre pequenos golpes realizos no país - sendo que, ele próprio, era um golpista.

Matéria na íntegra: https://cbn.globo.com/programas/cbn-rio/entrevista/2025/12/26/escritor-ruy-castro-revela-porque-nao-biografou-tom-jobim-acompanhe-a-primeira-parte-da-entrevista.ghtml

05/01/2026