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ABL na mídia - O Dia - Um Brasil melhor em Ruy de Castro

 

O livro de Ruy Castro sobre o Brasil nos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial, “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, tem uma importância relevante ao revelar que tínhamos uma elite muito melhor, uma democracia que o regime autoritário não sufocou em função da habilidade de muitos dos atores da vida nacional.

Não é preciso saber muito do século passado para identificar a qualidade dos homens que viveram o período conhecido como Era Vargas, de transformações na vida econômica, social e cultural do Brasil.

O governo reunia uma elite de notáveis pela cultura, espírito público, correção e presença. Eram homens do nível de Oswaldo Aranha, Vicente Rao, Francisco Campos, Lourival Fontes, Filinto Müller. E a oposição não ficava longe, pois tinha na Aliança Nacional Libertadora, além dos comunistas liderados por Luiz Carlos Prestes, ex-presidentes como Epitácio Pessoa e Arthur Bernardes, políticos como Maurício Lacerda e Francisco Mangabeira.

Outra constatação era o alto nível dos membros dos dois grupos que se opunham, integralistas e comunistas. Entre os primeiros, estavam Menotti del Picchia, San Tiago Dantas, Padre Hélder Câmara, Alceu de Amoroso Lima, Cândido Mota Filho, Miguel Reale, Gustavo Barroso e o próprio Plínio Salgado. E os comunistas tinham em seus quadros Jorge Amado, Graciliano Ramos, Álvaro Moreira, Caio Prado Júnior e o pintor Candido Portinari. E jovens simpatizantes como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Carlos Drummond de Andrade e outros.

Vargas agiu com competência ao lidar com a guerra, observando e avaliando o evoluir dos acontecimentos para tomar a decisão certa na hora certa, visando o interesse nacional. Destaque para a importância que os EUA davam ao Brasil e a seu apoio. O Brasil, afinal, entrou na guerra, na qual suas tropas lutaram por cerca de seis meses, no final do conflito, junto aos americanos na Itália. Foi um feito de habilidade e equilíbrio que devemos a Vargas. Aliás, o livro chama a atenção para o tamanho dos afundamentos de navios brasileiros nos anos que precederam a declaração de guerra, assim como o número de mortos quando da Intentona Comunista de 1935, detalhando que todo o planejamento e execução do movimento foi feito por estrangeiros vindos da União Soviética.

Um trabalho sem lado, sem narrativas, voltado para a história. Muita gente deve ler para conhecer e muitas outras para não dizer bobagens sobre aqueles anos que vieram a se refletir nos destinos nacionais até tempos recentes.
 

Matéria na íntegra: https://odia.ig.com.br/colunas/aristoteles-drummond/2026/02/7201009-um-brasil-melhor-em-ruy-de-castro.html

02/02/2026