O musicólogo, membro da Academia Brasileira de Música, Manoel Corrêa do Lago vai mostrar a trajetória de Heitor Villa-Lobos em um percurso por algumas de suas obras, na terça-feira, 24 de março, às 16h. A coordenação é do Acadêmico Ruy Castro. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/heitor-villa-lobos-vida-e-obra-em-perspectiva-697151
A apresentação também será transmitida ao vivo pelo canal da ABL no YouTube pelo link: https://www.youtube.com/live/L5kcYy64TCc?si=O6TN2x5pknlYLugN
A palestra propõe um amplo panorama da vida e da produção de Heitor Villa-Lobos (1887–1959), figura dominante da música clássica brasileira do século XX e, no plano internacional, um dos compositores mais destacados de sua geração.
“Celebrizado inicialmente por composições impregnadas de traços “primitivistas”, evidentes em obras dos anos 1920 como o Noneto, a série dos Choros e Amazonas, Villa-Lobos alcançou, posteriormente, enorme projeção com as bachianas brasileiras, ciclo no qual buscou evidenciar as afinidades entre manifestações da música popular brasileira e características estilísticas da música barroca europeia”, destaca o musicólogo.
Na próxima terça-feira (31), às 16h, será realizada a última conferência do ciclo “Vida de artista”. A pesquisadora, ensaísta e professora Ivana Bentes apresentará a palestra “Glauber Rocha: da fome ao sonho”.
Sobre Heitor Villa-Lobos
Nascido no Rio de Janeiro, o compositor construiu uma obra de notável originalidade que abrange gêneros tão diversos quanto a ópera, o oratório, as obras sinfônicas e concertantes, a música coral, a música de câmara e peças para instrumento solo.
Durante sua vida, foi defendido por intérpretes de projeção internacional, como Leopold Stokowski, Serge Koussevitzky, Arthur Rubinstein, Andrés Segovia, Pablo Casals e Vera Janacopoulos, que contribuíram decisivamente para a difusão de sua música na Europa e nos Estados Unidos. Segundo Corrêa do Lago, a singularidade da linguagem de Villa-Lobos resulta de uma combinação de experiências incomuns.
Sua formação clássica desenvolveu-se paralelamente a uma imersão precoce no universo da música popular, como exímio violonista e pela sua improvisação nas rodas de choro do Rio de Janeiro. “Essa dupla fluência na música de concerto e na tradição popular foi enriquecida pelas viagens realizadas ainda na juventude por regiões distantes do país, notadamente o Nordeste e a Amazônia, experiências que marcaram de forma duradoura sua imaginação e o levaram a declarar que seu primeiro livro é considerado o mapa do Brasil”, completou. Para o conferencista, a trajetória criadora de Villa-Lobos pode ser subdividida em diferentes fases.
Entre 1915 e 1922, quando ele afirmou-se como jovem compositor modernista, com produção de câmara e sinfônica já extensa, apresentada no Rio de Janeiro e em São Paulo, inclusive na semana de arte moderna. Entre 1923 e 1930, quando residiu na França, período em que sua obra passa a ser regularmente editada e importantes composições foram estreadas com sucesso em Paris, consolidando seu reconhecimento internacional. De volta ao Brasil, em 1930, ano em que interrompeu temporariamente a atividade de composição para dedicar-se intensamente à educação musical, implementando um ambicioso projeto de prática do canto orfeônico na rede escolar pública do então Distrito Federal
. Entre 1936 e 1945, quando retomou com vigor a criação, período das bachianas brasileiras, cujo êxito, especialmente a partir da feira internacional de Nova Iorque de 1939 e de tournée pelos Estados Unidos entre 1944 e 1945, o transforma em celebridade naquele país. Por fim, de 1945 a 1959, período em que continuou a sua produção musical, com óperas como Yerma, a Sinfonia n. 10, (“Sumé Pater Patrium”) e a Floresta do Amazonas, residindo entre o Rio de Janeiro, Paris e Nova Iorque com uma agenda intensa de concertos internacionais.
Sobre o conferencista
Manoel Corrêa do Lago é bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ, mestre em Administração Pública, Master in Public Affairs, pela Universidade de Princeton (1980), doutor em Musicologia pela Unirio (2005) e realizou pós-doutorado em Musicologia Histórica no IEB USP (2009). Seus estudos musicais, piano, análise e composição, desenvolveram-se principalmente com Arnaldo Estrella, Madeleine Lipatti, Esther Scliar e Nadia Boulanger. Sua tese de doutorado, intitulada O Círculo Veloso-Guerra e Darius Milhaud no Brasil: Modernismo Musical no Rio de Janeiro Antes da Semana, foi agraciada, em 2007, com o Prêmio Capes Área de Artes, tendo sido publicada em 2010.
Organizou os livros O Boi no Telhado: Darius Milhaud e Música Brasileira no Modernismo Francês (2014) e Uma nova Missão Francesa (2017), e coordenou, para a Academia Brasileira de Música, a reedição crítica do Guia Prático de Villa-Lobos.
11/03/2026