A verdade sempre aparece
A cada palavra do governo, aparece um desmentido. Como a história do convite ao delegado Carlos Henrique Oliveira para a direção executiva da Polícia Federal, que prova que Ramagem ainda manda lá.
A cada palavra do governo, aparece um desmentido. Como a história do convite ao delegado Carlos Henrique Oliveira para a direção executiva da Polícia Federal, que prova que Ramagem ainda manda lá.
Os indícios de que o então senador eleito Flavio Bolsonaro recebeu mesmo um aviso de um delegado de que uma operação da Polícia Federal alcançaria seu chefe de gabinete Fabricio Queiroz e parentes dele parecem confirmados quando se nota a data da exoneração dele e de sua irmã, justamente entre o primeiro e segundo turno da eleição geral de 2018, quando teria acontecido o aviso.
Essa nova denúncia do empresário Paulo Marinho faz com que o relato do ex-ministro Sergio Moro, de que o governo há muito tempo estava querendo usar a Polícia Federal do Rio de Janeiro para receber informações ganhe ar de credibilidade e dificulta muito a ideia do procurador-geral da República, Augusto Aras, se é que ela existe, de arquivar o processo.
À medida que a crise avança, vamos assistindo à involução dos hábitos e costumes republicanos, tendo o presidente Jair Bolsonaro como protagonista e ministros como coadjuvantes de uma tragédia, onde os conceitos democráticos vão sendo deformados e palavras distorcidas, a exemplo da “novilingua” criada pelo escritor inglês George Orwell na novela 1984, na qual o autoritarismo muda o sentido das palavras para melhor acomoda-las a seus interesses.
“Todos cobram do PR (presidente da República), mas ninguém busca um caminho para o entendimento”, me disse o vice-presidente da República, General Hamilton Mourão ao definir o que o levou a escrever o artigo que publicou ontem no jornal Estado de S. Paulo.
Nelson Teich demorou a sair do ministério da Saúde. Após a entrevista onde foi informado por jornalistas de providencias tomadas por Bolsonaro sem consultá-lo, deveria ter subido direto ao gabinete do presidente e pedir demissão.
O maior perigo desta segunda demissão no Ministério da Saúde, no momento em que o Brasil se aproxima de 15 mil mortes pela pandemia da Covid-19 e ameaça chegar a mil mortos por dia, é a obsessão do presidente Bolsonaro de reabrir a economia, substituindo o isolamento horizontal pelo vertical, que nenhum país sério adotou, e ao mesmo tempo forçar o uso da cloroquina como medicamento oficial do sistema de saúde brasileiro.
A novela da reunião ministerial só terá seu fim se o ministro Celso de Mello autorizar a divulgação integral do vídeo. Só assim será possível entender o contexto em que as frases foram ditas.
A Medida Provisória editada pelo presidente Bolsonaro nesta manhã de quinta-feira pode ser considerada a “excludente de ilicitude” da Covid-19.
A versão mais recente do Palácio do Planalto sobre o vídeo da reunião ministerial em que o presidente Bolsonaro ameaçou demitir o então ministro Sergio Moro dá conta de que o presidente se queixava da segurança pessoal dele e de sua família.
A narrativa do presidente Bolsonaro de que estava se referindo à segurança pessoal de seus filhos e amigos, e não à Polícia Federal, não pode ser crível. Se fosse, ele deveria ter demitido o general Heleno e o chefe da ABIN, delegado Ramagem. Nada bate com nada.
Não é preciso ter um papel assinado com a confissão para saber-se que tanto interesse assim na direção-geral da Polícia Federal tem objetivos além da simples nomeação.
O presidente Bolsonaro quer constranger as forças democráticas que impõem limite ao presidente da República, porque quer fazer um governo mais liberado dessas limitações. Mas é um perigo, porque é exatamente o que Hugo Chavez fez na Venezuela.
A decretação pelo Congresso e Supremo Tribunal Federal de luto oficial por três dias por termos atingido a fatídica marca de mais de 10 mil mortos devido à Covid-19 é o segundo tapa com luva de pelica que o presidente Bolsonaro recebe esta semana. Enquanto isso, ele andava de jet ski no Lago Paranoá.