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Artigos

  • Como se fosse a primeira vez

    EU QUERO ACREDITAR QUE VOU olhar este novo ano como se fosse a primeira vez em que 365 dias desfilam diante de meus olhos. Ver as pessoas que me cercam com surpresa e espanto, alegre por descobrir que estão ao meu lado dividindo algo chamado amor, muito falado, pouco entendido. Entrarei no primeiro ônibus que passar, sem perguntar em que direção está indo, e saltarei assim que olhar algo que me chame atenção. Passarei por um mendigo que me pedirá uma esmola. Talvez eu dê, talvez eu ache que irá gastar em bebida, e seguirei adiante - escutando seus insultos e entendendo que esta é sua forma de comunicar-se comigo. Passarei por alguém que está tentando destruir uma cabine telefônica. Talvez eu tente impedi-lo, talvez eu entenda que faz isso porque não tem ninguém com quem conversar do outro lado da linha, e desta maneira procura espantar sua solidão. Em cada um destes 365 dias eu olharei tudo e todos como se fosse a primeira vez - principalmente as pequenas coisas, com as quais já estou habituado e esqueci-me da magia que as cerca. As teclas do meu computador, por exemplo, que se movem com uma energia que eu não compreendo. O papel que aparece na tela, e que há muito tempo não se manifesta de maneira física, embora eu acredite que esteja escrevendo em uma folha branca, que é fácil corrigir apertando apenas uma tecla. Ao lado da tela do computador acumulam-se alguns papéis que não tenho paciência de colocar em ordem, mas se eu achar que escondem novidades, todas estas cartas, lembretes, recortes, recibos ganharão vida própria e terão histórias curiosas - do passado e do futuro - para me contar. Tantas coisas no mundo, tantos caminhos percorridos, tantas entradas e saídas na minha vida.

  • Se Zélia não existisse, precisaria ser inventada

    Para a Academia Brasileira de Letras, que hoje elegeu a sucessora de Jorge Amado, se Zélia Gattai não existisse, precisaria ser inventada. Jorge é de longe o escritor de maior visibilidade da história de nossa literatura - o advento de Paulo Coelho pode ser superior no detalhe da venda de livros mas atua numa faixa específica que não concorre com o autor de "Gabriela".

  • Incentivo

    Um determinado mosteiro atravessava tempos difíceis. Ninguém queria ser noviço. Os antigos monges tinham morrido. Apenas cinco deles ficaram no imenso edifício. Desolados, procuraram um sábio e lhe contaram suas dificuldades. “Que pena”, respondeu o sábio. “Porque um de vocês está destinado a ser santo”. Os monges voltaram espantados. Seria aquele irmão que sempre ajudava nas dificuldades o tal santo? Seria o outro, que rezava sem parar? Os monges passaram a se comportar da melhor maneira possível. Aos poucos, a gente da cidade começou a notar o entusiasmo e a devoção daqueles velhos. Um jovem pediu para acompanhá-los. Outros fizeram o mesmo. E, graças ao comentário do sábio, o mosteiro recuperou a dignidade perdida.

  • Um pedido de pai

    Pouco antes de morre, o pai do Chefe Joseph (1840 – 1904) o chamou: “Quando eu partir, pensa em tua herança. Em breve, o homem branco cercará por completo e tentará comprar nossa Mãe. Lembre-se de que meu corpo está ali, que sou parte dela”. Joseph prometeu jamais vender a terra. O branco tentou comprar e o cacife não vendeu. Vieram as guerras e Joseph liderou seu exército contra os soldados americanos. Quando foi capturado, perguntaram por que defendia uma causa perdida. “Um homem não vende os ossos de seu pai”, disse-lhes o cacique.

  • A sinceridade búlgara

    Depois de passar cinco dias especiais em Sofia, capital da Bulgária, entro pela primeira vez num avião da Bulgária Air, que me levará ao próximo destino desta viagem, sem (muitos) planos, que faço em homenagem aos 20 anos de minha peregrinação pelo Caminho de Santiago.

  • Seguindo a lenda pessoal

    Quando Joseph Campbell, o mais conhecido estudioso de mitologia de nosso tempo (e autor, entre outros livros, do excelente O Poder do Mito) criou a expressão “siga sua bênção”, ele estava refletindo uma idéia cujo momento parece ter chegado. Em O Alquimista, esta mesma idéia está sob o nome de Lenda Pessoal.

  • Quatro histórias passadas no Japão

    Concorrendo com os americanosAo visitar o Japão, para promover O Diário de um Mago, perguntei ao editor Masao Masuda, por que os japoneses conseguiram conquistar mercados que antes eram dominados pelos americanos.