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Artigos

  • Incenso, ouro e mirra

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 06/01/2005

    Hoje é dia dos Reis Magos - história ou lenda que foi absorvida no calendário cristão, mencionada nos textos evangélicos, mas comum a diversas culturas e tradições. Pelo que se sabe, não chegavam a ser reis de qualquer reino da Terra, mas reis de um território sem fronteiras nem donos, o da magia. Ao contrário dos sábios pagãos que olhavam as tripas de aves e répteis, eles olhavam o céu e viam sinais -tal como o Paulo Coelho, que também é mago e vê sinais nas areias de Copacabana.

  • As duas gotas de óleo

    O Globo (Rio de Janeiro), em 02/01/2005

    ÀS VEZES O GUERREIRO DA LUZ TEM A impressão de viver duas vidas ao mesmo tempo. Em uma delas, é obrigado a fazer tudo que não quer, lutar por idéias nas quais não acredita. Mas existe uma outra vida e ele a descobre em seus sonhos, leituras, encontros com gente que pensa como ele.

  • O pinheiro de St. Martin

    O Globo (Rio de Janeiro), em 26/12/2004

    NA VÉSPERA DE NATAL, O PADRE DA igreja no pequeno vilarejo de St. Martin, nos Pirineus franceses, preparava-se para celebrar a missa, quando começou a sentir um perfume delicioso. Era inverno, há muito as flores tinham desaparecido - mas ali estava aquele aroma agradável, como se a primavera tivesse surgido fora de tempo. Intrigado, ele saiu da igreja para buscar a origem de tal maravilha, e foi dar com um rapaz sentado na frente da porta da escola. Ao seu lado, estava uma espécie de árvore de Natal dourada.

  • Da comunidade com os homens

    O Globo (Rio de Janeiro), em 19/12/2004

    O TÍTULO DESTA COLUNA É TAMBÉM o título de um hexagrama do I Ching, o livro chinês das mutações humanas: a comunidade com os homens sempre traz boa fortuna. A seguir, algumas histórias a respeito.

  • O silêncio dos culpados

    O Globo (Rio de Janeiro), em 12/12/2004

    O VÍDEO FOI GRAVADO NA MANHÃ DO dia 26 de abril de 1986 e mostra uma vida normal em uma cidade normal. Um homem sentado tomando café. A mãe passeando com o bebê pela rua. As pessoas atarefadas, indo para o trabalho, uma ou duas pessoas esperando no ponto de ônibus. Um senhor lendo um jornal no banco de uma praça. Mas o vídeo está com problema: aparecem várias riscas horizontais, como se o botão de “tracking” precisasse ser mexido, de modo que eu e mais cinco pessoas que estão comigo, pudéssemos ver uma melhor imagem. Penso em pedir que façam isso, mas penso também que alguém deve ter notado, e em breve irão tomar alguma providência.

  • Da importância dos aliados

    O Globo (Rio de Janeiro), em 05/12/2004

    O GUERREIRO DA LUZ QUE NÃO compartilha com outros a alegria de suas escolhas jamais irá conhecer as próprias qualidades e defeitos. Portanto, antes de começar qualquer coisa, busque aliados - gente que se interesse pelo você está fazendo. Não digo: “busque outros guerreiros da luz.” Digo: “encontre pessoas com diferentes habilidades, porque a luta de um guerreiro por seu sonho não é diferente de qualquer caminho seguido com entusiasmo.” Seus aliados não serão necessariamente aquelas pessoas que todos olham, se deslumbram e afirmam: “não existe ninguém melhor”. Muito pelo contrário: são pessoas que não têm medo de errar e, portanto, erram muito. Por causa disso, nem sempre o que fazem é elogiado ou reconhecido. Mas é este tipo de pessoa que transforma o mundo, e depois de muitos erros consegue acertar algo que fará a diferença completa em sua comunidade. Os aliados são pessoas que não podem ficar esperando que as coisas aconteçam, para depois poderem decidir qual a melhor atitude a tomar: elas decidem à medida que agem, mesmo sabendo que este tipo de comportamento é muito arriscado.

  • As palavras e o ser humano

    O Globo (Rio de Janeiro), em 21/11/2004

    NO INÍCIO, ERA O VERBO”: TODOS nós conhecemos esta frase da Bíblia. O mais interessante é que Deus não é comparado com uma figura, um efeito da natureza, e sim com uma expressão gramatical. No meu ofício de escritor, sou obrigado a concentrar-me na importância das palavras, mas creio que todo ser humano deva sempre prestar atenção ao que diz e ao que ouve.

  • Castañeda e a linhagem sagrada

    O Globo (Rio de Janeiro), em 14/11/2004

    CARLOS CASTAÑEDA FOI UM FILÓSOFO que teve grande importância para minha geração - e uma vez por ano faço questão de relembrá-lo nesta coluna. Por razões que não me compete julgar, terminou os seus dias fazendo algumas coisas que sempre condenou; mas todos nós temos nossas contradições, e o que fica na história de qualquer homem é o que ele procurou fazer de melhor. No caso de Castañeda, seus textos, alguns dos quais transcrevo (editados) abaixo, deixaram um legado que não pode ser esquecido:

  • Marcado para morrer

    O Globo (Rio de Janeiro), em 07/11/2004

    EU POSSIVELMENTE DEVERIA TER morrido às 22h30m do dia 22 de agosto de 2004, menos de 48 horas antes da data do meu aniversário. Para que o cenário da quase-morte pudesse ser montado, uma série de fatores entraram em ação:

  • Apenas 45 minutos

    O Globo (Rio de Janeiro), em 24/10/2004

    EM TODOS OS SERVIÇOS E OS PRODUTOS que encontramos hoje no mercado há sempre a possibilidade de reclamar, escolher outra marca, ter sua queixa ouvida por algum órgão do governo. Mas existe uma coisa que está acima do bem e do mal: viagem de avião. No momento em que escrevo estas linhas, estou em um céu lindo, sendo bem atendido pelos comissários, fazendo uma viagem de 45 minutos entre Paris e Viena. Hoje, porém, resolvi cronometrar tudo. Saí de casa duas horas antes, porque é um vôo internacional. Precisei ficar, junto com outra centena de passageiros, 32 minutos na fila de checagem de segurança: a mulher encarregada estava conversando, e ai de alguém que ousasse dizer alguma coisa. Em seguida - isso jamais tinha acontecido, preciso reconhecer - os mais de cem passageiros ficaram como sardinha em lata em um ônibus, por 52 minutos, já que o avião tinha chegado tarde e não conseguira uma passarela livre.

  • Em andanças pelo mundo

    O Globo (Rio de Janeiro), em 17/10/2004

    CERTA VEZ, NO INVERNO DE 1981, EU caminhava com minha mulher pelas ruas de Praga, quando vimos um rapaz desenhando os prédios à sua volta. Embora eu tenha verdadeiro horror de carregar coisas enquanto viajo (e havia ainda muita viagem pela frente), gostei de um dos desenhos e resolvi comprá-lo. Quando estendi o dinheiro, reparei que o rapaz estava sem luvas, apesar do frio de cinco graus negativos.

  • De livros e bibliotecas

    O Globo (Rio de Janeiro), em 10/10/2004

    NA SEMANA PASSADA, COMENTEI sobre meus livros sublinhados. Na verdade, não tenho muitos livros: há alguns anos, fiz certas escolhas na vida, guiado pela idéia de procurar ter um máximo de qualidade, com o mínimo de coisas. Não quer dizer que tenha optado por uma vida monástica; muito pelo contrário, quando não somos obrigados a possuir uma infinidade de objetos, temos uma liberdade imensa. Alguns de meus amigos (e amigas) reclamam que, por causa do excesso de roupas, perdem horas de suas vidas tentando escolher o que vestir. Como resumi meu guarda-roupa a um “preto básico”, não preciso enfrentar este problema.

  • Os livros sublinhados

    O Globo (Rio de Janeiro), em 03/10/2004

    NEM SEMPRE ESCOLHO OS LIVROS que devo ler. São eles que me escolhem, me chamam da prateleira de uma livraria, e muitas vezes os compro sem saber qual a razão; mas cada um deixa sempre algo importante. Recentemente, abri ao acaso alguns volumes de minha pequena biblioteca e copiei trechos sublinhados.