"A língua não é unitária, ela se modifica nos vários planos, nas várias regiões do país, na pronúncia e, sobretudo, no vocabulário", resumiu o Acadêmico, filólogo e escritor na primeira mesa da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) nesta quinta-feira, 13 de agosto.
Até o domingo, 16 de agosto, 13 acadêmicos participarão de mesas de debates, sessões de cinema que homenageiam Heloisa Teixeira e Zuenir Ventura e também com um estande com edições da Revista Brasileira e obras dos acadêmicos. A programação é gratuita e é inspirada no pensamento da antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez.
A mesa, intitulada "Brasil, Brasis", promoveu um debate inspirado na homenageada desta terceira edição da FLIN e abordou temas como a variação da língua, diversidade cultural, identidade e pertencimento.
O Acadêmico participou da mesa ao lado do cordelista e fundador da Academia Gonçalense de Cordel, Zé Salvador, às 9h, em uma FLIN Arena lotada de jovens de diferentes faixas etárias, entre adolescentes, crianças e adultos. Fato que chamou a atenção do Acadêmico, que destacou a diversidade da platéia como um retrato da pluralidade do povo brasileiro.
Ricardo Cavaliere destacou que a variação da língua se faz em três níveis: a Geográfica - em cada região, o português tem uma variação; a Social - construções sintáxicas, como uso do vocabulário, tanto na sua formalidade e na informalidade e a Pessoal - variação no plano familiar, no grupo restrito.
Ele chamou atenção para o fato de que, diferente de alguns países, como os Estados Unidos, no Brasil não há variação étnica quanto ao uso da língua, de tal forma que não existe um português típico na população negra, branca, parda, indígena. Nos Estados Unidos isso acontece em decorrência de aspectos históricos e culturais.
Segundo ele, o português é uma língua "una" como meio de comunicação e expressão. As variações linguísticas estão ligadas à identidade de cada povo e à construção da memória.
Em relação à presença forte das mídias e à transformação da linguagem com a internet, Zé Salvador afirmou que o Brasil é um país plural e a internet só reforça isso.
"Nós estamos aqui no evento e ficamos sabendo de uma notícia da Arabia Saudita. A internet só vem ajudar. Em se falando de cordel, na década de 40, quando surgiu a rádio, achamos que o cordel ia morrer. O mesmo aconteceu com a chegada da televisão e depois com a internet e as redes sociais. O cordel se uniu à internet. E isso permite que eu faça um repente - eu no Rio e meu amigo no Ceará. A internet nos levou para o mundo no mesmo instante em que estamos aqui", afirmou. Para Zé Salvador, "esse tipo de evento faz engrandecer Niterói. Todo movimento de arte é crescimento para o povo. E o povo precisa de arte. Não só de pão e circo", concluiu.
13/08/2026