Neste ano, o clássico de João Cabral de Melo Neto Morte e Vida Severina completa 70 anos e, para celebrar a data, o professor da Universidade Federal do Pará e ator José Denis de Oliveira Bezerra apresentará, a partir de sua tese de doutorado, Vanguardismos e Modernidades: cenas teatrais em Belém do Pará (1941-1968), o contexto da primeira encenação da obra em 1958, realizada pelo grupo paraense Norte Teatro Escola.
Com coordenação do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, a palestra será dia 11 de junho, às 17h30, e compõe a programação do Quinta é Cultura. A entrada é franca e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/morte-e-vida-severina-pelo-norte-teatro-escola-do-para-outras-historias-do-teatro-brasileiro-746254/
A conferência também será transmitida no Youtube da ABL: https://www.youtube.com/live/dtDMQez61jA?si=_KCLFQ28iFt_C6tj
Na tese defendida em 2016 no Programa de Pós-graduação em História da UFPA, e demais pesquisas, o professor compartilha suas análises sobre a encenação inédita e vanguardista da obra de João Cabral pelo grupo paraense, propondo outras leituras de Morte e Vida Severina para a história do teatro brasileiro do século XX.
Bezerra também reflete sobre como os espetáculos dialogaram com a conjuntura sociopolítica paraense e brasileira da época.
“Os princípios estéticos dos intelectuais e artistas desse referido movimento cultural revelam importantes percepções e ações “modernizantes” e de “vanguarda” sobre a cultura e a arte. Por isso, consideramos que a produção proposta pelo Teatro do Estudante do Pará (1941-1951), o Norte Teatro Escola do Pará (1957-1962) e o Serviço de Teatro da Universidade do Pará (1962-1967) entraram em confronto com outras formas cênicas, representantes do que definimos como tradição, principalmente as ligadas às práticas do teatro comercial e popular”, destaca no resumo de sua tese.
“Morte e Vida Severina”
Morte e Vida Severina foi a obra-prima de João Cabral de Melo Neto, escrita entre 1954 e 1955. Criada como um poema dramático, o objetivo do autor era que fosse encenada durante o período do Natal, como um auto de teor regionalista, uma vez que falava sobre os problemas pelos quais o Nordeste brasileiro passava.
Traduzida para diversos idiomas, foi imortalizada na música de Chico Buarque e consagrou João Cabral de Melo Neto. Foi adaptada para televisão, cinema, teatro e até em forma de animação.
Morte e Vida Severina retrata a trajetória de Severino, que deixa o sertão nordestino em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida. Severino encontra no caminho outros nordestinos que, como ele, passam pelas privações impostas ao sertão. João Cabral une teatro e poesia para denunciar a miséria e a realidade social regional. A narrativa recorre a episódios e personagens arquetípicos ao usar imagens do sertão e referências bíblicas para fazer crítica social e simbolismo.
Sobre José Denis de Oliveira Bezerra
José Denis de Oliveira Bezerra é artista, ator, diretor teatral, professor e pesquisador de artes/teatro. Doutor em História, mestre e graduado em Letras. Professor da Escola de Teatro e Dança e do Programa de Pós-graduação em Artes do Instituto de Ciências da Artes da Universidade Federal do Pará.
Presidiu a Associação de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas-ABRACE (2022-2023). Lidera e desenvolve atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão no Grupo de Pesquisa Perau - Memória, História e Artes Cênicas na Amazônia/UFPA/CNPq. Editor-chefe da Revista Arteriais (PPGArtes-UFPA).
Suas pesquisas e produções escritas se dedicam à análise da produção teatral e literária brasileiras, a partir da Amazônia paraense, concentrando seus estudos historiográficos sobre obras, artistas, grupos e os contextos das artes.
02/06/2026