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Míriam Leitão na FLIN: “o processo de escrita de um livro é de um domínio completo”

Em debate sobre como os diferentes suportes, do livro físico ao ebook, influenciam a escrita e a leitura, a jornalista, escritora e Acadêmica Míriam Leitão contou sua trajetória e devoção ao ofício de escritora e, principalmente, de repórter: o faro pela notícia e a investigação do desconhecido.

“No jornalismo, cada dia tem um desafio novo. Eu sempre me sinto desafiada e isso me mantém muito ativa e estimulada”. 

Com 16 livros publicados - e prestes a lançar mais dois - , sendo o primeiro em 2010, uma coletânea de artigos que escreveu para o jornal O Globo, a Acadêmica falou sobre como é a Míriam jornalista e a escritora, dois papéis que se complementam:

“Elas se dão muito bem. Uma conta para a outra. Meus livros têm informações que eu consegui no jornalismo, na apuração. Os caminhos se cruzam, as diversas plataformas.”

Sobre o processo de escrita, a Acadêmica destacou que “o livro é um processo muito intenso, trabalhoso, de domínio completo”.

Em dado momento da conversa com o jornalista e editor Mauro Ventura, Miriam disse que não tinha o hábito de falar que gostaria de ser escritora, pois “o sonho grande amedronta”.

“Eu tinha tanto medo de ser escritora, até que um professor falou que eu podia ser escritora. Lembro daquela cena até hoje”, disse.

A jornalista contou que passou a infância numa casa de uma cidade do interior de Minas , onde convivia muito com livros, onde o estímulo a leitura era total. Aos 12 anos, leu Vidas Secas e aos 17, Grande Sertão: Veredas. É a sexta de 12 filhos, e a mãe e o pai se sacrificaram muito para criar todos.

“Eu era uma menina muito tímida e os livros foram o meu refúgio. Também quando terminei um relacionamento, ao invés de ficar chorando, empilhei uma fila de livros e depois de lê-los, cheguei à conclusão de que os livros eram mais importantes do que o namorado perdido”. Quando foi presa pela ditadura, ficar longe dos livros foi um grande sofrimento, ela disse.

A jornalista também citou a influência de outro acadêmico, uma referência no jornalismo, Zuenir Ventura, o “Mestre Zu”. Ele costumava dizer que é importante cultivar a ideia da dessacralização do livro.

Míriam ganhou o Prêmio Jabuti pelo seu primeiro livro. Em novembro,ela lança um livro de ficção, “A dança da Elisa”.

O livro conta a história de uma bailarina e uma multidão, que chega para linchá-la. Como forma de se proteger do caos, ela fecha a janela e as portas e começa a dançar.

“Eu transformei toda aquela dor de quando eu fui ameaçada de morte em literatura” Se tivesse que escolher uma única mídia, Míriam disse que escolheria o impresso porque ele está relacionado ao momento do ato de se concentrar, que é desafiador. É uma coisa íntima. Você e suas palavras: “É a forma suprema do jornalismo. Na internet e na televisão tem muito ruído”. 

Sobre a reportagem, disse que é a parte mais difícil do jornalismo, pois não há controle de tudo, o tempo que vai ter, se vai encontrar as informações”.

Literatura infantil

O gosto pela literatura infantil veio do desejo de quando virou avó. “O estranho caso do sono perdido”, um dos seus livros infantis, aborda a história de uma neta que leva a sua avó para o seu sono. Todas as áreas têm uma aridez. Você sabe que é importante, mas tem que ser interessante."

Como lida com a notícia e as fake news

"Nós do jornalismo temos a técnica da checagem. A diferença entre o fato e o fake, somos treinados para isso.”

Dessacralização da política

“Política é algo que se faz todo dia, a escolha de cada dia. Somos todos seres políticos. A alienação é um ato político. Eu tenho paciência com os erros da democracia, porque eu vivi o contrário na ditadura. Mas ao mesmo tempo eu tenho pressa para que meus netos vejam o Brasil que dá certo”

14/08/2026