"Não será possível conter o avanço da IA, que veio para ficar." É a opinião do escritor Sérgio Rodrigues, que dá vida à sua escrita em tempos de robôs. Nas negociações sobre a regulação da IA, os escritores são a parte mais fraca. Estamos a caminho da literatura orgânica, aquela em que uma pessoa escolhe palavras uma por uma e o texto com ambições artísticas produzido com aditivos robóticos, afirma Sérgio Rodrigues.
Estamos vivendo um mundo de transformações, no setor de livros. Autores como Clarice Lispector, Paulo Coelho e Chico Buarque têm sido utilizados para treinar seus modelos de linguagem. Vivemos uma nova era da linguagem. A própria Academia Brasileira de Letras passa por esse processo quando elege uma escritora negra (Ana Maria Gonçalves).
Há um novo ciclo de inovação, caso do uso de infravermelho para mapeamento de veias da mão, em ascensão na China. Os softwares de reconhecimento facial se tornaram alvo de questionamentos. Enquanto isso, o retorno das impressões digitais é esperado para breve.
O Judiciário brasileiro vive um momento delicado. O rolo do Banco Master, a venda de sentenças, entre outras histórias, são muito brilhantes. Isso provoca a preferência pelas vantagens do algoritmo. Valeria a pena substituir juízes por programas de computador?
A IA vai ampliar o acesso a diagnóstico médico em áreas remotas, ou apoiar professores em áreas de poucos recursos, ou aumentar a produtividade em locais agrícolas, para desafiar o sucesso do Vale do Silício. Já chegamos ao voto eletrônico e o uso do Pix. A aprovação da Lei da IA foi um passo relevante. Mas é preciso ir adiante na capacidade técnica, na coordenação institucional e na transparência, para chegarmos ao ponto ideal.
Há um ponto do qual não podemos abrir mão: a alfabetização digital e capacitação ampla, incluindo de professores a profissionais de saúde, de gestores públicos a trabalhadores de economia informal. Devemos preparar toda a sociedade, o que deve ser feito com a maior urgência. O Plano de Ação prevê ações de aperfeiçoamento, o que alcança o desafio para as contas públicas. A ideia do Governo é usar ferramentas de IA para combater fraudes e detectar riscos em benefícios sociais, como o Bolsa Família.
A diretriz é: não criminalizar os pobres, mas não abrir mão de criminalizar quem usa os pobres para executar as fraudes.
Devemos evitar o uso de empresas que utilizam cópias piratas de livros de Clarice Lispector, Chico Buarque e Paulo Coelho (membro da Academia Brasileira de Letras) para treinar modelos de IA.